Comemos para viver ou vivemos para comer?

Existe ou não uma vaidade enorme de nos mostrarmos aos outros e de os tentarmos iludir com uma tentativa de que tocamos o sublime, mas de uma forma muito “casual”? Dentro de duas temáticas que tanto têm de semelhante como de diferente, decidi construir uma exposição com uma série de peças ( “Vanity Fair #) e criar uma reflexão sobre a gastronomia e a moda na sociedade ocidental actual.
Assistimos a uma tentativa de endeusar os chefs, como sendo os artistas plásticos dos século XXI, sendo eles os grandes criadores numa sociedade aborrecida e esterótipada. No século XVII, o Valasquez tinha um tratamento especial por parte do clero e da nobreza. Era uma espécie de celebridade pública. No século XX, os artistas passaram a ter uma conotação de boémios, sofristas e incompreendidos. No século XXI, os Chefs e os Designers de moda tornaram-se os novos Velasquez. As Artes Plásticas, salvo raras excepções, deixaram de ter o protagonismo alcançado no passado. A arte voltou a estar ligada ao bem estar. Já não se trata apenas de sentir emoções, mas sim de procurar as boas sensações. Assim acontece actualmente, numa altura em que o prazer imediato é procurado. Ser visto num restaurante com estrelinhas ou ser visto na primeira fila de um desfile de moda é tão bom ou melhor que o prazer imediato de sentir novos sabores ou de nos sentirmos bem com aquele casaco às bolinhas roxas do Designer X.  Com esta exposição pretendo focar-me na relação entre o público e estas duas áreas.   

Pedro Zamith

Inauguração da Exposição
O artista, Pedro Zamith